Anu preto e as lendas do bico do pássaro

Lendas contadas de pessoa a pessoa…

Em Lagoa da Prata, principalmente, na Usina Luciânia, houve um período que uma lenda era muito popular entre os moradores. Relatam que isso aconteceu entre as décadas de 70 e 80 e persistindo por mais alguns anos devido a simplicidade dos habitantes do local. Claro, cada um com seu interesse em propagá-la e obter vantagens financeiras, e outros no intuito de milagrosamente solucionar um problema!

As comadres se reuniam e contavam a seus filhos que prestavam atenção naquela informação que poderia resolver milagrosamente um problema comum na época. A simplicidade de um povo, os tornava tímidos, e a forma que os filhos eram criados dentro da pobreza da época tornava propicio a divulgação desta lenda.

Os jovens tinham opções acolhedoras para a época, como praça, a igreja e o cinema. As jovens senhoritas tinham uma beleza peculiar, e os jovens senhoritos, bons na lida, mas pouco corajosos na ciência de se apresentar e chamar alguém para conversar, dançar, namorar etc… e por ai vai.

Diz que chegou um cidadão acompanhado de sua família que estaria vindo de Diamantina, e que este era um assistente de raizeiro, assim o tinha se apresentado nos seus primeiros dias, ditos pelos microfones da igreja proferidos nos avisos antes da missa! Este para conseguir a água ardente famosa da região, conhecida principalmente pelos que aqui moravam, acredito que possa ser a Lobatinha ou alguma precursora dela, passou a oferecer os trabalhos de cupido para estas pessoas que a timidez era acima do razoavelmente normal.

“Ofereço solução eficiente para seu problema de timidez, ofereço-lhe a panaceia oriunda da cultura indígena, da pajelança eficiente e curativa, a solução de seus problemas!”

Ofereço o pó do amor, o cupido eficiente! Preço, três borós de 20 cruzeiros. Valor alto para a época, mas até descobrirem a origem do pó este cidadão ficou rico! Tendo se mudado para Santo Antônio do Monte e hoje seus descendentes fazem parte de uma recente e promissora empresa de vendas pela internet.

“O anu preto, (Crotophaga ani) também chamado anum preto, é uma ave da família Cuculidae que ocorre da Flórida à Argentina e em todo o território brasileiro. Gosta de sol e toma banho na poeira, ficando a plumagem às vezes com a cor da terra ou de cinza e carvão.”

O pó moído do bico do anú preto era oferecido para os jovens na porta do cinema e depois acabou por se tornar a maior carnificina destas aves de Lagoa da Prata até os lados de Formiga, Campos Altos e Pitangui. As gomas de pneu também eram oferecidas a preço alto, para a construção de estilingues que eram usados para a caça das aves. As arapucas também se tornaram eficientes com as cevas de arroz em casca que também atraiam outros pássaros, mas que quando encarcerados eram liberados.

Diz a lenda, que o pó de bico de anu se jogado nas costas de uma mulher ela se apaixona pelo homem que jogou!

“Pegue o bico do pássaro, reduza-o a pó e depois jogue por sobre a mulher pretendida. O pó do bico do anu vai fazer o coração dela balançar pelo emissário.”

Algumas moças da época hoje senhoras bem casadas, contam que se orgulhavam por chegar em casa com as camisas brancas e bem passadas com muito sinal de pó preto de anú. Isso era na época uma forma de se destacar entre as amigas. As mais bonitas chegavam com as camisas bem sujas.

Para que algumas moças pudessem aumentar a sua auto estima na época, faziam um pozinho bem ralinho de carvão de caule do cafeeiro, e elas jogavam este pozinho para mostrar que eram queridas e desejadas. Quanto mais sujas eram as camisas mais bonitas e desejadas eram consideradas.

Os rapazes jogavam o pó de anu nas costas das mais bonitas, e quando um jogava o pó por cima do outro, anulava a ação do primeiro. A disputa em algumas situações eram épicas e engraçadas!

Optamos por omitir a forma de preparo do pó do bico de anu. E antes da publicação deste texto, vasculhamos a internet e graças a Deus não encontramos nenhuma citação a tal receita da qual temos a privilegiada informação!

“Pobre anu, sagrado anu, mensageiro de paixão. Nobre anu, por isso voa tão baixo, para ser capturado e seguir sua sina. Eis o cupido dos moradores nativos da Vila Luciânia …”

Esta historia foi contada parte a parte por diversas pessoas, e cada um, da sua maneira particular, aumentou, romantizou para que ela se tornasse interessante e até para que se tornasse financeiramente interessante.

Se alguma parte ficou faltando, ou você tem algum comentário que possa melhorar este artigo, nos mande uma mensagem ou deixe um comentário. Assim nos foi contado e assim relatamos para que possa ser repassado a todas gerações, para informar que isso não tinha nenhum fundamento, mas porem o povo acreditava!

Sabe de outras lendas ou histórias da Usina de Lagoa da Prata? Conte-nos!


Robson Moraes Almeida

Texto em rascunho em edição permanente, estando nesta forma aceitando contribuições:


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