Homem vítima não vende
“Homem vítima não vende.”
Foi isso que ouvimos de um jornal quando entramos em contato sobre uma falsa acusação.
A resposta foi seca, sincera — e nojenta.
Homem chorando não comove. Homem sofrendo não engaja. Homem sendo destruído não dá clique.
A mídia não se importa com o homem.
O Estado não protege o homem.
A sociedade não enxerga o homem.
Ele não tem campanha.
Não tem amparo.
Não tem espaço.
Apanha? “Aguenta.”
É abusado? “Duvido.”
Se mata? “Covarde.”
Grita por socorro? Ninguém ouve.
Ele é útil até quebrar.
Quando quebra, vira lixo.
Descartável.
Substituível.
Esquecido.
O sistema só quer o homem calado, produtivo e pronto pra morrer — seja no trabalho, na guerra ou na solidão.
Enquanto isso, a lágrima da mulher vira manchete.
A dor dela vira lei.
O drama dela rende verba.
A dor dele? Rende silêncio.
Porque homem vítima não vende.
E é por isso que eles calam.
E é por isso que a gente fala.



