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O dia em que Lamartine Babo se apaixonou por uma moça que nunca existiu

O dia em que Lamartine Babo se apaixonou por uma moça que nunca existiu — e compôs um clássico em Boa Esperança.

Nos anos 1930, o Brasil vivia o auge do rádio, das grandes orquestras e das cartas apaixonadas. Foi nesse cenário que o compositor Lamartine Babo, um dos mais criativos da Era do Rádio, viveu uma história tão improvável quanto encantadora na pacata cidade de Boa Esperança, em Minas Gerais.

Tudo começou com uma troca de correspondências. Durante cerca de um ano, Lamartine se correspondia com uma jovem chamada “Nair”, que se dizia sua admiradora. As cartas eram doces, delicadas, cheias de afeto — e acompanhadas de pedidos de fotografias e versos. Encantado com a sensibilidade daquela moça misteriosa, o compositor se envolveu emocionalmente.

Mas o que Lamartine não sabia é que “Nair” não existia. Na verdade, por trás do pseudônimo estava Carlos Alves Neto, um dentista da cidade, grande fã de sua obra, que decidiu levar a admiração a outro nível: criou um personagem fictício e alimentou a fantasia durante meses.

O ponto alto da trama veio quando “Nair” escreveu sua última carta anunciando que iria se casar. Desesperado e tomado pela emoção, Lamartine decidiu viajar até Boa Esperança para tentar impedir o casamento da mulher que nunca conheceu pessoalmente, mas por quem havia se apaixonado.

Chegando à cidade, a verdade veio à tona: Carlos Alves Neto não apenas confessou a farsa, como ficou surpreso com a visita do ilustre compositor. E o mais curioso: Lamartine não foi embora imediatamente. Ficou pela cidade, convivendo com os moradores, e acabou cativado pela beleza da região e pelo calor humano dos mineiros.

Antes de retornar ao Rio de Janeiro, foi organizado uma despedida em um sítio no alto da serra em sua homenagem. Emocionado, Lamartine agradeceu a acolhida e, inspirado pela paisagem da região e pela história que viveu, compôs ali mesmo, de improviso, os primeiros versos daquela que se tornaria uma de suas mais belas canções:

“Serra da Boa Esperança, esperança que encerra…”

A canção viraria um marco em sua carreira e colocaria Boa Esperança no mapa afetivo da música brasileira. Até hoje, moradores mais antigos recontam essa história com orgulho — alguns com detalhes, outros com pitadas de exagero — mas sempre com brilho nos olhos, como se tivessem feito parte de um capítulo da música nacional.

 

Curiosidade:

A música “Serra da Boa Esperança” ficou nacionalmente conhecida na voz de Francisco Alves e, depois, imortalizada por intérpretes como Nelson Gonçalves, Elizeth Cardoso, Tito Madi e Cascatinha e Inhana. Poucos sabem que ela nasceu de uma paixão inventada, um trote bem-humorado e uma cidade que soube acolher até mesmo um coração partido com café e festa.


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